Projeto Minas Indígena é apresentado à Comitiva de Israel

O secretário de Estado da Sedinor, Gustavo Xavier, reuniu-se com a comitiva de Israel, que visitou o Governo de Minas, com o objetivo de apresentar as ações em desenvolvimento em Minas Gerais nas regiões Norte e Nordeste com o foco no combate à escassez hídrica visando também uma possível parceria com aquele país.


Israel é um país com pouca água e baixo índice pluviométrico (chega a 0 mm/ano) e temperaturas em torno de 42 a 45°C. Após a apresentação o Ministro Itay Tagner disse: “Setenta por cento de todo o estado de Israel é deserto: no nosso seminárido chove em torno de 0 a 18-20mm por ano. Aprendemos a cultivar em solos precários. Nós realmente não temos escolhas. Temos tecnologias e técnicas para o cultivo em terra, já que não chove”, ressaltando também que o governo de Israel, em pesquisas iniciais, já percebeu que Minas Gerais tem um potencial enorme.


O Secretário Gustavo Xavier falou sobre a possibilidade de um termo de cooperação técnica para o compartilhamento de saberes e tecnologias. “Israel está muito avançado no combate à seca e na gestão de recursos hídricos, devido às condições de escassez de água. Da mesma forma que Minas Gerais está de portas abertas para fornecer as nossas tecnologias, também temos muito interesse de conhecer as formas com que Israel lida com a falta d’água”.


Além das ações desenvolvidas pela Sedinor, voltadas para o combate à escassez hídrica, como implantação de poços artesianos, caixas coletoras de água pluvial e barraginhas, o Secretário dissertou sobre as ações dentro do Projeto Minas Indígena que têm o mesmo objetivo: inserir tecnologias sociais capazes de dar uma resposta positiva ao combate da escassez hídrica dentro das Reservas Indígenas nas quais o Projeto estará presente.

Ações apresentadas e que estão previstas no projeto-piloto Xakriabá:


Usina Energética

Considerando que a região em que vive a etnia Xakriabá é a mais quente de Minas Gerais com índices de radiação solar elevadíssimos e que a Reserva possui grande extensão territorial (53.000 ha) foi considerada a autossuficiência energética projetando usinas solares individuas que abastecerão cada residência com energia elétrica. Além dessa suficiência devemos considerar muito positiva a não necessidade de se vencer longas distâncias para levar linhas de transmissão de energia elétrica, de origem hidráulica, às residências. Essa ação ainda pode ser considerada pequena, mas a partir do momento em que for replicada nas outras etnias e transferida a outras populações específicas como a quilombola e a rural, já poderemos sentir um impacto positivo. Minas Gerais está sendo pioneira no país com esta ação para a população indígena: o Brasil possui quase 200 etnias distribuídas em todos os estados da federação.


Poço Artesiano

Para o consumo humano (beber, cozinhar e banhar) a origem da água é através de poços artesianos. Estudos já foram feitos e detectaram uma boa reserva hidráulica nos lençóis profundos confinados e a água possui boa potabilidade.




Caixa coletora de água pluvial


A água pluvial é captada através de calhas nas bordas dos telhados e tubos que a direcionam para armazenamento em cisternas de placas com capacidade de armazenamento de 16.000 litros. Essa água, sendo tratada, pode ser usada para consumo humano também, mas caso a vazão do poço supra essa necessidade, a água da cisterna tem como destino a limpeza da casa, de roupas, a rega de hortaliças necessárias à segurança alimentar e para saciar a sede de animais domésticos.


Filtro para esgoto secundário


Os esgotos primários (oriundos da bacia sanitária) seguirão para fossa séptica e os esgotos secundários (efluentes líquidos após o uso no chuveiro e lavatório) passarão por um filtro para a retirada do sabão e serão reutilizados na irrigação das árvores que serão plantadas como cerca viva entre os lotes. Esta ação, além de reaproveitar a água necessária à higiene pessoal, ajudará no crescimento de árvores, preferencialmente frutíferas, que melhorarão a qualidade ambiental de uma área de clima muito quente.


Controle de volume para o banho

Uma ação pedagógica a ser inserida para redução do consumo de água no banho está na separação de volumes: a caixa d´água de 1000 litros abastece uma menor de 50 litros exclusiva para cada banho. Quando este volume de 50 litros acabar a água no chuveiro será interrompida e a caixa menor iniciará o reabastecimento. É uma forma de fazer com que o usuário dimensione o seu tempo de banho. Mas se ele necessitar de mais água bastará aguardar por 20 segundos para o reabastecimento e liberação de nova vazão. Da mesma forma, caso ele não utilize todo o volume de 50 litros, o próximo usuário usará o restante armazenado e aguardará por 20 seg para o reabasteciemento.



Fábrica de Tijolos



Como na Reserva Xakriabá existem muitos agregados miúdos como pedregulhos, areia e argila, necessários à produção de tijolos e cerâmicas para a construção da casa, foi projetada uma Fábrica de Tijolos e Cerâmicas para os pisos sendo esta uma das ações da sustentabilidade construtiva. Outra forma de aproveitar ao máximo a água da chuva para utilizá-la na produção dos tijolos foi a de também fazer a coleta da água pluvial: toda a chuva que cai nos telhados são direcionadas para as calhas e conduzidas por tubos até canaletas semicirculares ao redor da fábrica. A água coletada é direcionada para dois tanques nas laterais da fábrica com capacidade de 50.000 litros cada um.


Recuperação de nascentes

Com a grande escassez de chuvas, outra opção de utilização de água para a fabricação dos tijolos é uma pequena represa que há em área próxima à da fábrica. Entretanto, o espelho d’água é quase sempre baixo e a reserva de água é destinada aos animais. Uma tentativa de aumentar o volume de água reservada será a recuperação das nascentes que a abastecem e, assim, conseguir um acréscimo de altura do espelho d’água.




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